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ROCK > Entrevistas

Constrito

Por: Zé Carlos Lee
Musical Sun, São Paulo-Brasil, data: 05/01/2006

INTRO:
Esta é uma entrevista muito interessante que fizemos com o grande baterista Gabriel de Carvalho Godoy Castanho, onde ele fala sobre sua banda Constrito e sobre o CD de estréia do grupo “Um Fio de Vida no Círculo da Morte”.
O grupo Constrito tem obtido cada vez mais destaque com relação ao público, e mostram ser uma banda com muita atitude, competência e grande talento e criatividade.
Confiram esta entrevista, e ouçam o primeiro CD deles!

Constrito - Foto: Divulgação
1) Quando e como a banda foi formada?
Gabriel (Constrito): Conheci o Pierre (guitarra) em 1996 e mais tarde nesse ano começamos a tocar juntos. O nome surgiu em 1997. Daí em diante a banda já passou por várias reformulações, mas a semente já estava plantada desde 1996-97.
2) Defina a origem do nome Constrito.
Gabriel (Constrito): Queríamos algo que passasse sentimento. Constrito (aperto, opressão), nos passa bem a sensação que vivemos no mundo de hoje. Queríamos que ele ao mesmo tempo representasse a situação em que vivemos e uma forma de escapar dele. Esperávamos que tocando ou ouvindo nossas músicas as pessoas poderiam ter um momento de liberdade catártica, rompendo suas amarras.
3) Quais as principais influências musicais da banda?
Gabriel (Constrito): Várias. Cada integrante tem gostos bastante amplos. De modo geral, gostamos de rock, folk, pop, dance, eletrônico, new age, world music, trance.
4) Qual é a ideologia do grupo? Quais mensagens buscam transmitir em suas letras e no som?
Gabriel (Constrito): Apesar de tudo e do que possa parecer temos uma mensagem positiva. Nossas apresentações querem sempre ser um momento de liberdade. Um momento quando as pessoas podem deixar suas travas sociais de lado e balançar o corpo das mais diferentes maneiras como se nada mais importasse.
Além disso, procuramos sempre mostrar nossa posição crítica diante de alguns dos problemas de nosso mundo atual. Não tentamos mudar o mundo, tentamos mudar as pessoas. Mas nunca de forma autoritária. O que apresentamos é a nossa opinião. Uma opinião que em muitos casos se diferencia do “mainstream” cultural atual, e que além de ser bem acolhida pelas pessoas que já compartilham de nossa visão de mundo, ainda atrai uma série de outras pessoas curiosas e insatisfeitas com o mundo em que vivem e esperam mais dele. Política, economia, história, geografia, amor e ódio são comuns em nossas letras e conversas com o público. Comuns porque são sentimentos que compartilhamos com boa parte de nosso público.
Constrito - Foto: Divulgação
5) Descreva um show marcante do Constrito. Algum fato inusitado?
Gabriel (Constrito): Puxa, são vários. Já tocamos em cima de duas Kombis em um ferro velho; já tocamos em um parque aquático; já vimos gente recém-operada usando máscara entrando no show e saindo pulando só de calça; Já vimos gente vibrando no chão imitando a pulsação de um coração no meio de uma de nossas músicas; já tocamos com uma só guitarra (e sem distorção), bateria e voz, sem microfone (uma de nossas melhores apresentações - eu escutava atrás da bateria o vocalista gritando lá na frente do palco!!); já fomos e voltamos para Belo Horizonte em menos de 24 horas dirigindo naquela estrada maravilhosa! Sei lá esses são os que me lembro agora, mas tenho certeza que existem outros momentos e que outros integrantes do grupo lembrariam de outras coisas.
6) Musicalmente, quais os caminhos trilhados pela banda? De que forma pretendem trabalhar a sonoridade do Constrito em trabalhos atuais e futuros?
Gabriel (Constrito): Nunca planejamos isso muito. Tocamos aquilo que nos faz sentir bem; aquilo que nos dá prazer. Se amanhã uma pitada de dance soar bem, tocaremos; se depois for um reggae, sem problemas, e se a mesma música pedir um pouco de grind, trash ou alguma dissonância, assim será.
7) Qual é o público-alvo do grupo?
Gabriel (Constrito): Nosso público alvo são as pessoas que querem ouvir músicas que ao mesmo tempo as divirta e as faça pensar. Mas se a pessoa buscar apenas um desses aspectos, ou mesmo nenhum deles, também será muito bem vindo ou bem vinda!
8) Dê sua opinião sobre a cena musical no Brasil. Existe apoio da mídia para o rock nacional?
Gabriel (Constrito): Apoio existe, agora o problema é a quantidade e o tipo. Jabá é apoio não é?! Um apoio de peso diga-se de passagem! Alguns podem e querem esse tipo de apoio, outros não, e tentam buscar outros caminhos. É claro que o espaço que o rock poderia ter no Brasil ainda poderia ser maior, mas não podemos esperar que isso venha de empresas, gravadoras, editoras, do Estado ou eu sei lá de onde. A cena nacional quem faz somos nós: músicos, públicos e interessados. Bem, pelo menos é isso que penso.
Constrito - Foto: Divulgação
9) Como foi o processo de composição e produção musical do primeiro álbum?
Gabriel (Constrito): A composição das músicas já vinha sendo feita alguns anos antes da gravação, cerca de um ano e pouco antes.
A gravação foi independente. Tivemos o convite da Liberation e aceitamos logo de cara.
Pagamos a gravação e mixagem de nosso próprio bolso e recebemos em troca cerca de 100 CDs. Gravamos lá no Rocha, durante as madrugadas de julho. E fomos mixando aos poucos. Ficamos um bom tempo no estúdio, até mais do que pretendíamos, mas foi divertido!
10) Qual equipamento vocês utilizaram para gravar o disco de estréia, e como foi traduzir para um CD a atitude da banda?
Gabriel (Constrito): Bem não me lembro exatamente o equipamento. Um dos guitarristas tem uma ESP ou outro pegou uma guitarra emprestada e não me lembro qual era (acho que Les Paul). O baixo, se não me engano, era um Samick ou algo assim. A bateria era uma Premier, acho, com pratos Zildjean e Sabian. Os amplificadores eu não me lembro mesmo... desculpem...
Traduzir nossas apresentações para o CD foi o mais difícil, mesmo porque isso seria impossível!
Gostamos de improvisar um pouco nas apresentações então para gravar tivemos que deixar as músicas mais “fechadinhas”. Sem contar que: somos mesmo uma banda de palco. Rola uma comunicação corporal entre os músicos durante as apresentações, que na gravação do CD foi completamente apagada. Eu pessoalmente, prefiro nossas músicas ao vivo.
CD "Um Fio de Vida no Círculo da Morte"
11) Comente sobre a estrutura que vocês utilizam em seus shows.
Gabriel (Constrito): A estrutura geralmente é bem simples. É claro que sempre que o equipamento é melhor, o som sai melhor, nosso desempenho é melhor, fazendo com que o público e a banda, saiam mais satisfeitos com o resultado. Mas já tocamos nas condições mais adversas, como por exemplo: sem distorção, sem baixo, sem voz microfonada, sem ton-ton, com peles furadas, etc.
12) Percebemos misturas de ritmos brasileiros em suas músicas. Defina isto, comentando um pouco a respeito.
Gabriel (Constrito): Não foi nada muito intencional. Surgiu espontaneamente.
Geralmente a confecção das músicas começa pela guitarra e daí vamos para a bateria.
Gostamos de tentar manter a bateria o mais próximo da guitarra. Mas acho que quando alguma batida pode parecer meio abrasileirada ela está lá justamente para se contrapor às guitarras e causar certo estranhamento e curiosidade em quem ouve. Agrada-nos muito, provocar surpresas em nossos ouvintes. É bom ouvir uma música estranha de vez em quando.
13) Qual é a opinião do grupo à respeito do comércio ilegal de CDs? O que seria necessário para combater a pirataria?
Gabriel (Constrito): Acho que é preciso diferenciar muito bem pirataria e compartilhamento. Nunca se cogitou prender o moleque que pegava o disco ou a K-7 do colega e fazia uma cópia para si próprio. A diferença é que hoje as tecnologias existentes, muitas delas criadas pela própria indústria do entretenimento, fazem com que a rede de amigos com quem você possa dividir suas músicas seja muito grande. Isso não era e não pode ser criminalizado.
Muitas são as questões entorno da pirataria. Por exemplo, existe aquele tipo de pessoa trabalhadora, mas que está excluída do mercado de trabalho e deixada à miséria. Isso é um problema social e os músicos ao invés de buscar punir essa gente, deveriam focalizar toda sua raiva e utilizar a influência e o poder que os microfones, alto-falantes, e câmeras lhes dão, para indicar ao público os verdadeiros responsáveis por essa situação: o governo que não cumpre com suas funções primordiais e as elites dominantes que querem manter o seu status secular. Existe também a pirataria que visa o lucro explorando o trabalho alheio (de músicos, técnicos e outros profissionais da música) é uma coisa de gente safada que não tem mais o que fazer e gosta de se aproveitar dos outros (e isso é um problema de caráter) e que devem ser punidos por isso. Fundamentalmente acreditamos que o comércio ilegal só existe porque os preços dos CDs vendidos nas lojas são exorbitantes e irreais. Preço esse que alimenta um outro tipo de exploração dos profissionais da música, pois tira o dinheiro das mãos dos principais responsáveis pela arte musical e o transfere para outros tipos de piratas que exploram a produção artística pelo mundo.
Constrito - Foto: Divulgação
14) Parabéns à banda pelo primeiro belo trabalho registrado. Deixe aqui, aos nossos leitores, uma mensagem para quem está começando na música e quer ter uma excelente banda como a de vocês.
Gabriel (Constrito): Bem primeiro queria agradecer ao convite e a oportunidade que vocês nos deram de expor nossas opiniões de maneira livre. Obrigado também por suas palavras gentis a nosso respeito.
E finalizando, bem, a única mensagem que posso deixar aqui é a de que o palco que separa vocês dos artistas não é nenhum monte Everest ou monte Olimpo. Músicos e público não passam de pessoas como quaisquer outras. Se quiserem subir, é só subir e ocupar os espaços! Abraços!
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