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ROCK > Entrevistas

Fleesh

Por: Zé Carlos Lee & Luis Roberto T. Costa
Musical Sun, São Paulo-Brasil, data: 14/06/2017

INTRO: Entrevistamos a Fleesh, dupla formada por: Gabby Vessoni (Vocalista e Compositora) & Celo Oliveira (Multi Instrumentista, Produtor Musical e Compositor).
O álbum “What I Found” segundo álbum da dupla, nos chamou a atenção pelo belo trabalho vocal, arranjos, e gravações. Quando ouvimos o álbum, à primeira vista nos pareceu ser gravado por uma banda completa, e ficamos surpresos depois, por se tratar de uma dupla talentosa que faz música de qualidade!

Fleesh - Gabby Vessoni e Celo Oliveira - Foto: divulgação.
1) Quando começaram na música? E Por quê?
Gabby Vessoni (Fleesh): Desde pequena eu ouvia muita música (rock no geral) em casa e acredito que isso tenha sido uma das minhas maiores influências. Meu pai sempre colocava álbuns de bandas como Pink Floyd, AC/DC, Rush, etc. Com 11 anos fiz aula de teclado, e mais ou menos aos 15 anos comecei a ter aulas de canto. Fazia gravações caseiras (dentro do armário ahaha) e aí conheci o Celo e iniciamos o projeto. Não sei ao certo por que, mas algo na música sempre me atraiu e ao assistir outras bandas tocando sentia vontade de fazer isso também.

Celo Oliveira (Fleesh): Comecei aos 10 anos quando ouvi “Sweet Child O’Mine” do Guns N’ Roses e aquele som de guitarra me encantou. Foi ali que decidi o que queria fazer da minha vida. Ganhei minha primeira guitarra e aos 15 anos já tinha minha primeira banda, aos 18 já trabalhava com música. Durante todo esse percurso, sempre quis fazer música autoral, nunca covers. Sempre criei projetos onde pudesse compor minhas próprias músicas.

2) Quais são as principais influências musicais de vocês? Quando e como a dupla Fleesh foi formada? & Defina a origem do nome da dupla.
Gabby Vessoni (Fleesh): Desde que nos conhecemos, nós dois éramos envolvidos com música e decidimos formar um projeto juntos. No final de 2013 começamos a compor algumas músicas e daí surgiu nosso primeiro álbum, o “My Real Life” que foi lançado em 2015. Nossas principais influências são: Marillion, Rush, Pink Floyd, Genesis, Steven Wilson, entre muitos outros.

O nome Fleesh não tem um significado específico. Queríamos um nome cujo único significado fosse nosso projeto, então inventamos esse.

3) Qual a formação musical de vocês? São autodidatas? & Como vocês vêem a importância da teoria musical na formação dos músicos?
Gabby Vessoni (Fleesh): Ambos são autodidatas. Eu faço aulas técnicas de canto, e pratico, Celo também pratica diariamente. Não temos como falar muito sobre por não termos essa formação teórica, mas sim, é importante em diversos pontos.
Fleesh - Gabby Vessoni - Foto: divulgação.
4) O que a música significa na vida de vocês? E quais são seus objetivos na música?
Gabby Vessoni (Fleesh): A música está conosco diariamente e é o que nos faz continuar.
5) Qual o show que vocês assistiram e que mais marcou a vida de vocês?
Gabby Vessoni (Fleesh): Vimos o show do David Gilmour em 2015 e foi pura inspiração.
Fleesh - Celo Oliveira - Foto: divulgação.
6) Descreva um show marcante realizado por vocês. Algum fato inusitado? & Comente sobre a estrutura que vocês utilizam em seus shows. Quais equipamentos vocês utilizam em suas apresentações? Qual é o público-alvo de vocês?
Gabby Vessoni (Fleesh): Nosso projeto é relativamente novo, ainda não fizemos shows na verdade, mas pretendemos um dia levar aos palcos tudo o que temos feito!
Quanto aos equipamentos, ainda não tivemos a chance de experimentar coisas pro ao vivo, o nosso público alvo seria uma variável entre pessoas que gostam de rock progressivo, rock no geral, acreditamos até que pessoas com mais idade que nós, afinal, estamos tentando resgatar algo que ficou guardado no tempo, fazendo releituras de músicas que muitas vezes são de antes de nascermos.
7) Como vocês compõem suas músicas?
Celo Oliveira (Fleesh): Nossas músicas são feitas de forma meio inusitada, pra compor os instrumentais eu deixo de fundo um metrônomo em algum beat, passo algo em torno de 30 segundos ouvindo aquele tempo, e começam a vir os riffs, as idéias, e em algum momento eu começo a tocar a música, e só paro quando ela chega ao fim, rs. Pode parecer estranho, mas é como se a música já existisse, e eu só estivesse reproduzindo, e todos os discos autorais que lancei até então, foram feitos assim.

Gabby Vessoni (Fleesh): Cada música acontece de uma forma diferente pra mim. Compor é uma necessidade, então, na maioria das vezes, falo sobre algo que sinto que precisa ser falado entre os mais diversos temas. Em algumas músicas, eu escuto a melodia que o Celo fez e de alguma forma já está tudo ali, as palavras já pré-encaixadas... é como se o instrumental já tivesse com a letra, como se aquela melodia não pudesse ser usada pra falar de nada além daquilo que está na minha cabeça. Em outras, eu escuto o instrumental e ele me dá a idéia de onde ir e escrevo frases soltas pra irem se encaixando também. E, também, em algumas músicas do primeiro álbum os primeiros esboços de melodia surgiam na minha cabeça, algumas melodias apareciam quando eu acordava no meio da madrugada, outras no meio da rua ou nos lugares mais diversos, e a gente foi encaixando melhor depois. Algumas já vinham com letra e outras não.

Fleesh - Álbum "What I Found"
8) Citem 3 álbuns favoritos e por quê?
Gabby Vessoni (Fleesh): Meus “favoritos” mudam dependendo da época em que estou e cada vez mais são adicionados a essa lista.
3 álbums que estão nesse posto há um tempo são: “F.E.A.R” do Marillion (que tenho ouvido sem parar desde que saiu), “Not Your Kind of People” do Garbage e “Imaginaerum” do Nightwish. Celo Oliveira (Fleesh): Difícil responder 3 álbuns favoritos, muitos discos marcam épocas, mas posso citar 3 que marcaram uma "época” maior, que são, “Apettite for Destruction” do Guns N Roses, “Velvet Darkness They Fear” do Theatre of Tragedy, e o “Night is The New Day” do Katatonia.
9) Como vocês vêem o cenário atual da música? Dê sua opinião sobre a cena musical no Brasil. Existe apoio da mídia para o rock nacional?
Celo Oliveira (Fleesh): Na verdade não podemos generalizar um todo, baseado em uma mídia apenas. Muito provavelmente diriam que o “Sertanejo” está em alta, ou artistas que fazem de fato músicas sem muitos rótulos, mas se pararmos pra pensar, e analisarmos os fatos, sabemos que todos os estilos têm seu espaço, se trouxermos bandas como Rolling Stones, ou o próprio Slipknot ao Brasil, eles lotam igualmente estádios em seus shows, então talvez seja só uma questão de “em que mídia você está procurando o que quer ouvir”. A internet veio pra democratizar verdadeiramente todo tipo de manifestação artística, no Youtube, Facebook, entre outras plataformas, você tem todas as ferramentas que precisa pra ser um grande artista, sem precisar de grandes gravadoras, ou rios de dinheiro, existem muitos artistas que vieram da internet usando apenas um violão e uma webcam e hoje são gigantes, como Boyce Avenue, Marie Digby, e o próprio Justin Bieber. Acredito que possamos pensar mais em gerar conteúdos, ainda que direcionados a um nicho específico, mas que trará bons frutos dos nossos esforços, nós por exemplo, hoje fazemos algo muito próximo do rock progressivo, e por nós, não precisamos ser a Beyoncé, mas viver de nossas músicas já é a linha de chegada dessa grande corrida!
Fleesh - Álbum "My Real Life"
10) Como vocês vêem o papel das novas tecnologias e redes sociais em termos de divulgação e propagação de trabalhos musicais? Quais são suas relações com elas?
Celo Oliveira (Fleesh): Então, como respondi na pergunta anterior e reiterando, somos usuários 100% delas, e acreditamos que seja a forma mais eficiente de iniciar de forma sólida a carreira, porque depende muito mais de você do que de qualquer outro fator.
11) Comente faixa a faixa, o excelente disco “What I Found”:
“What I Found”
Gabby Vessoni (Fleesh): É a síntese do álbum. O conceito dele é um palpite sobre a forma como lidamos com a vida. Muitas vezes tentamos buscar algo de forma tão focada que esquecemos de olhar em volta quando, muitas vezes, tudo o que precisávamos esteve sempre ali e não pudemos enxergar. É sobre juntar e usar o que vamos encontrando pelo caminho, musicalmente ou não.
Nesse álbum pudemos juntar; acredito que com sucesso; muitas influências que não tínhamos usado antes e que sempre estiveram ali. Não buscamos nenhuma sonoridade específica, tudo surgiu de forma orgânica. Essa foi a maior inspiração pra essa música e pro conceito do álbum.

“Frankenstein”
Gabby Vessoni (Fleesh): Foi o nosso primeiro single e representa muito a idéia da “What I Found” só que de forma metafórica. Todos nós somos “Frankensteins”. As pessoas que deixamos, as que encontramos, as que se vão…todas elas deixam em nós pedaços de si que, juntos, formam quem nós somos. Somos feitos de pedacinhos de outras pessoas e momentos.

“If I”
Gabby Vessoni (Fleesh): Fala sobre aquele momento de desespero quando temos todas as soluções pra tudo e começamos a criar hipóteses de desastres mentais. É sobre estar perdido mesmo sabendo aonde ir.

“System’s Down”
Gabby Vessoni (Fleesh): É uma das músicas mais obscuras do CD, quando ouvi o instrumental que o Celo tinha feito, me remeteu direto a um dos meus piores pesadelos que é estar preso dentro do próprio corpo. Trata-se de uma pessoa em estado de coma, completamente consciente mas sem conseguir sair do lugar.

“Dust”
Gabby Vessoni (Fleesh): Foi a primeira música que fizemos, algo que sempre me incomodou é a superioridade que as pessoas acreditam ter. Todo mundo acha que é melhor que o outro, que é muito especial e acabam menosprezando pessoas que julgam “menos importantes”.

“Run”
Gabby Vessoni (Fleesh): Quando ouvi a melodia, me levou diretamente pra uma situação que vemos todos os dias nos noticiários e que me faz refletir muito. Fala sobre a situação de imigrantes e refugiados. Muito dessa música veio do “F.E.A.R” do Marillion.

“Good Luck”
Gabby Vessoni (Fleesh): É sobre algo bem pessoal que vi acontecer, e ainda vejo, de muito de perto, que é a homofobia. O refrão dela é a resposta imediata que as pessoas têm com as outras, é um diálogo.

“Time Lapse”
Gabby Vessoni (Fleesh): Acredito que é a música mais “etérea” do álbum. É sobre quando você está no piloto automático, fazendo coisas do cotidiano como um robô e ansiando pelos dias bons que já foram vividos. Uma reflexão sobre o tempo no geral, como temos medo de chegar ao fim da vida sem ter alcançado o que queremos, mas não fazemos nada pra mudar isso além de nos queixar.

“Reply”
Gabby Vessoni (Fleesh): A idéia dessa música é algo que sempre pratiquei sem pensar muito, que foi escutar mais do que falar. Outro dia, refletindo sobre isso com a minha irmã, cheguei à conclusão de que falando você só repete o que você já sabe. Depois de alguns dias, li a seguinte frase do Dalai Lama — “-When you talk, you are only repeating what you already know. But if you listen,you may learn something new.” e isso ficou na minha cabeça e precisava ser colocado pra fora.

“Blood On The Street”
Gabby Vessoni (Fleesh): Acredito que seja uma das músicas mais tristes do álbum, é a história de uma moça em depressão que se mata, e isso desencadeia uma outra morte em seguida. Fala sobre a forma de como as pessoas ignoram a doença e quando isso chega ao extremo.

Comentário geral sobre o disco & como está sendo feita a distribuição:
Celo Oliveira (Fleesh): Esse é um disco especial pra mim, sinto como se fosse um ponto muito alto alcançado por mim como músico autodidata que sou, e entusiasta da composição. Me senti inspirado no processo, e acredito que esteja impresso no álbum. É um disco feito com muita alma, e muito coração, onde os arranjos em nenhum momento eram pensados, mas sentidos.

12) Deixe aqui, aos nossos leitores, uma mensagem para quem está começando na música e deseja ter uma carreira musical como a de vocês.
Celo Oliveira (Fleesh): Aos queridos leitores, que estão ingressando em suas carreiras, como nós mesmos que ainda estamos engatinhando, são apenas dois discos, talvez a única mensagem que pra mim tem feito todo sentido é; trabalhe, e não crie expectativas.
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