English:
menu.gif

Google



ROCK > Entrevistas

Allex Bessa

Por: Zé Carlos Lee
Musical Sun, São Paulo-Brasil, data: 19/02/2006

INTRO:
Allex Bessa é um dos melhores tecladistas do Brasil, já tocou com diversos artistas renomados, é produtor musical, compositor, instrumentista, músico arranjador, já fez diversas trilhas para comerciais de Rádio e Tv, etc...
Confiram esta entrevista, onde vocês poderão conhecer ainda mais o trabalho deste grande músico.

Allex Bessa - Foto: Ricardo Zupa
1) Quando e como foi seu primeiro contato com a música?
Allex Bessa: Brincando no piano Brasil de casa que aprendi a tocar, quando eu devia ter uns 10 anos (1977). Tentando copiar o que minha irmã fazia no piano enquanto eu tocava as músicas do Rick Wakeman e sozinho quando não tinha ninguém em casa. Depois de uns dois anos estava tocando as músicas do álbum “Journey To The Centre Of The Earth”.
2) O teclado foi seu primeiro instrumento musical?
Allex Bessa: Foi o piano. Só comecei a ter contatos com “teclados”, mesmo, em 1984, quando comecei a tocar nos bares da vida, lá na baixada santista.
3) Como foi seu início na música já como profissional? Algum fato marcante?
Allex Bessa: O primeiro dia tocando num bar em São Vicente com uma banda a convite de um baixista que eu conheci na escola enquanto tocava o piano do pátio. Nesse bar, depois de tocar vieram com o meu cachê e eu levei um susto porque não sabia que se ganhava dinheiro tocando, e o cachê era muito bom. Daí comecei a levar mais a sério a música.
4) Além do teclado, você toca outros instrumentos musicais?
Allex Bessa: Não, só arranho um pouco. Dedico-me apenas ao teclado. Uma vez ou outra faço alguns acordes num violão Tokai e toco na minha bateria Staff Drum ligada ao Nuendo, mas depois de gravado conserto tudo...rss
5) Quais são suas influências musicais e seus artistas favoritos?
Allex Bessa: As minhas maiores influências são os tecladistas Rick Wakeman (claro), Keith Emerson, Wagner Tiso, Cezar Camargo Mariano, Jon Lord (nessa ordem). Artistas? Todos do Clube Da Esquina, A Cor Do Som, Mutantes, Sergio Dias que pra mim é um dos maiores gênios da nossa música, gosto muito de Elis Regina, Tom Jobim e Chico Buarque.
6) Qual o show que mais marcou sua vida? Algum fato inusitado?
Allex Bessa: YES no Olympia, tour do “TALK”. Foi nesse show que comecei a gostar do Trevor Rabin, ele é genial. Outro show que marcou foi do ELP com o Keith Emerson detonando absurdamente nos teclados, superando todos os problemas que ele tem nas mãos.
7) Como você se aprimora musicalmente? Utiliza algum método de estudo?
Allex Bessa: Ouvindo o que há de novo e interessante, também tem aquelas bandas neoprogressivas com solos de centenas de notas por segundo, não que eu goste, mas nos ajuda a não ficar pra trás.

Aprendi cedo, que muitos métodos não mostram tudo o que se precisa saber para executar uma peça, apenas ajudam. Na minha época não tinha Internet e não existiam vídeo-aulas. Quando ia assistir algum show o músico tentava não mostrar a técnica (ainda hoje existem pessoas assim). Mesmo assim, a melhor forma é assistindo a shows e descobrir a técnica utilizada em posições de mãos e dedos. O erudito é o estudo mais completo.

Eu penso da seguinte forma: Se tal músico consegue fazer uma frase complicadíssima, então qualquer um consegue, basta descobrir a técnica e treinar. Cada músico tem uma mão diferente (graças a Deus, rss) que responde por movimentos diferentes e criam vícios, e são nesses vícios que a teoria cai em contradição e que surge o estilo de cada artista.

Allex Bessa - Foto: divulgação
8) Qual é a sua opinião sobre a música e o mercado musical nos dias de hoje?
Allex Bessa: Essa questão se transforma em duas.

Principalmente referindo-se à mídia. O que vemos na televisão é uma contra-cultura impiedosa, uma lavagem cerebral. O Brasil continua impedido de ouvir a sua verdadeira cultura, a nossa verdadeira música, assim como na época da ditadura. Isso que ouvimos e vemos nas “Tele-Nervelas” e nas rádios de grande porte é uma enorme barreira cultural. O pobre coitado do brasileiro é obrigado a ouvir a mesma “música” sendo tocada 10 vezes por dia, porque as grandes gravadoras pagam muito, para isso, às emissoras e quando é de noite o sujeito já está condicionado à gostar das músicas e com elas fixadas na cabeça. Isso é muito triste. Tem idéia do que é uma criança de seis anos chegar da escola cantando “Boladona”?

Quanto à música de hoje em dia , tem muita coisa boa sendo criada por aí, mas não está na mídia. Artistas que apresentam seu próprio trabalho em bares, centros culturais e na maioria das vezes não são reconhecidos, e pior, morrem no anonimato.

9) Fale sobre a pirataria. O que seria necessário para combatê-la?
Allex Bessa: A formato digital enterrou o mercado fonográfico. Agora as gravadoras estão sentindo na pele o que é ser roubado, assim como os artistas foram durante décadas. A numeração dos CDs é o melhor caminho, pois os dois lados passam a ficar mais seguros.

Você já viu um CD do Cezar Camargo Mariano, Tom Jobim, Roberto Menescal, Rick Wakeman, YES, ELP, Gentle Giant, Porcupine Tree, Spock's Beard, numa banquinha de camelô? Graças a Deus não, né?

Isso não tem fim. Criam-se muitos formatos digitais anti-cópias, mas esquecem que no final, o áudio é passado para analógico, daí é só gravar. Não tem saída.

O formato do CD também depreciou o produto. O que a produção deve fazer é uma arte maravilhosa com encartes contando cada detalhe da gravação com fotos, textos, enfim “arte dentro da arte” como eram os vinis de antigamente. Você colocava o disco pra tocar e ficava lendo o encarte, isso raramente acontece hoje porque também seria preciso uma lupa pra conseguir ver e ler alguma coisa decentemente.

Por outro lado os produtores de hoje não produzem nada que valha a pena comentar nos CDs, então, realmente fica difícil. Se bem que... aí vai uma dica!!! Contrata esses marqueteiros políticos que eles descobrem qualquer assunto pra enobrecer qualquer coisa que não tenha assunto algum. rss

10) O rock progressivo é um estilo que muitas vezes evidencia o teclado. Na sua opinião, qual é a diferença do rock progressivo no seu início histórico, para o rock progressivo feito nos dias de hoje?
Allex Bessa: Foi aberto um leque imenso no rock progressivo, os instrumentos mudaram muito e a tecnologia também, ainda mais na nossa era digital onde se pode gravar um excelente disco em casa numa salinha intitulada de “Home Studio”.

Eu sou saudosista e gosto quando a essência permanece a mesma.

Um guitarrista amigo meu uma vez me disse uma coisa interessante: As bandas de neoprog muitas vezes são como um bolo de supermercado (Muito glacê pra pouca massa ou muito enfeite pra pouco conteúdo). A maioria das bandas pensa em solos fuzilantes e em polirritmias constantes que muitas vezes enfraquecem a música. São poucas músicas que você pode sair cantando ou assoviando o tema. Isso significa falta de melodia. Se não tem melodia não há música.

Por outro lado existem bandas novas como Spock's Beard e Porcupine Tree que nos presentearam com um trabalho novo e maravilhoso.

11) Você está trabalhando em algum projeto neste momento?
Allex Bessa: Estou empenhado em projetos próprios.

No ano passado gravamos o primeiro CD e DVD ao vivo da nossa banda, TARKUS, que deve ser lançado nos próximos meses pela Rock Symphony. Esse ano, vamos gravar um disco em estúdio com essas músicas e mais algumas outras inéditas.

Há três anos, conheci o pessoal da Minami (fábrica de órgãos), atual TOKAI e desde então, estamos enfiados num projeto de criar e desenvolver um órgão nacional com “drawbars”, simuladores de tube overdrive, rotary speaker valvulada e reverb, bem no estilo dos orgãos vintage, porém portátil.
Ele, enfim, ficou pronto e estou gravando um disco todo baseado nesse órgão. É um CD com o instrumental num formato de trio, teclados, Baixo: Benigno Jr. (Nave) e Bateria: Fernando Faustino (Tarkus) e algumas participações da cantora Maristella Bessa (Tarkus).

E também em dois discos solos que, se Deus quiser, concluo a primeira parte do meu trabalho, um contando o início da colonização brasileira e outro em homenagem a Santos Dumont.

12) O que você diria a um jovem que quer aprender a tocar um instrumento musical?
Allex Bessa: Escolha um instrumento que se identifique e dedique-se a ele, não queira abraçar o mundo e tocar de tudo um pouco; e quer aprimorar a sua técnica? Suba num palco.
Allex Bessa - Foto: Letícia Vinhas
13) Você já fez diversas trilhas para Rádio e Tv. O que você poderia nos dizer sobre isto?
Allex Bessa: É muito estressante e divertido ao mesmo tempo. Fiz muitas peças interessantes para comerciais e documentários. Aprende-se muito com cada trabalho, cada dia um desafio de fazer tudo muito, mas muito rápido.

Mas de novo vamos falar de problemas do mercado. Hoje em dia, poucas trilhas chegam nas mãos dos músicos porque os programas de edição de vídeo já suprem o editor com loops diversos e muitas vezes essas trilhas acabam aprovadas e nem chegam às nossas mãos.

14) Relate sua experiência como produtor musical.
Allex Bessa: Comecei fazendo arranjos para gravadoras pequenas só com um teclado da Roland D-20 em 1989. Foi triste porque não havia vida nos estúdios, apenas o relógio passando as horas.
Mas por outro lado aprendi tudo o que podia sobre gravações analógicas. Presenciei toda a transição de formatos analógicos (Fitas de duas polegadas) e digital (os terríveis Adats, aos maravilhosos Da-88), e enfim, os micro-computadores com os terríveis Pro Tools e os maravilhosos NUENDOs ! hehehe... vou ser linchado por isso ! Aprendemos muitos truques que foram esquecidos ou descartados pelo mundo digital.

Acabei produzindo e arranjando alguns discos para algumas gravadoras como RGE, Velas, Continental/Warner, Atração, entre outras.

15) Qual é o seu equipamento para os shows? Descreva alguma dica sua sobre “setup” e como planejar algum.
Allex Bessa: Depende muito do show, mas vamos lá. Agora o meu setup na banda TARKUS está da seguinte forma:

Eu penso da forma antiga sobre a distribuição dos teclados. Eu os exponho em “U” para que o público possa ver o que estou executando, por exemplo: Eu tenho um piano na minha esquerda com um synth com timbres de cordas em cima (Fanton X8 e DX-7 midiado à um E-UM Vintage Keys com timbres de Mellotron). No fundo um synth com sons de orquestras de madeira e um synth para detalhes de Flautas e Oboés (Kurzweil PC88mx e SQ1). Na minha direita tenho um synth com sons de orquestras e cordas e acima dois combo organs (Trinity ProX e Dois TOKAI TX-5). Entre os orgãos e o SQ1 está atravessado o Minimoog (sem comentários) e entre o SQ1 e o DX7 está atravessado o JUNO-D ambos para solos. Daí é só treinar um pouco de contorcionismo e tudo dará certo.

16) Obrigado pela entrevista, e desejamos muito sucesso em sua carreira. Deixe aqui, algum recado especial aos nossos leitores.
Allex Bessa: Obrigado pela oportunidade de poder levar um pouco do meu trabalho para os seus internautas. Pesquisem sobre a história da música, do Rock também para entender o que está acontecendo agora. Dê ouvido aos mais velhos em relação à música e crie sua personalidade musical a partir daí. Cuidado com o modismo e freqüente sempre esse site porque tem muita coisa boa rolando por aqui. Parabéns.

Abraços

Web site: www.allexbessa.com.br
e-mail: allexbessa@gmail.com
Fone:
Endereço para correspondência:



 
Musical Sun® - Todos os direitos reservados.