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Fabiana Bittencourt

Por: Elias Nogueira
Musical Sun, Rio de Janeiro-Brasil, data: 02/01/2010

INTRO:
Fabiana Bittencourt é cantora por natureza! Nasceu no Rio de Janeiro, Macaé, e desde cedo sempre esteve perto da música, colocando sua voz ao som do piano, em família. Fabiana trata de forma carinhosa e artística à sua obra, tratando com devido valor as palavras. Fabiana traça caminhos ousados, buscando traduzir sentimentos e chegando à alma de seu ouvinte, com paixão e excelente performance de palco, indispensável! Fabiana mudou-se, ainda criança, para a cidade do Rio de Janeiro, onde, amante também do teatro, deparou e criou a própria identidade de expressar suas canções. Formou-se em teatro e paralelamente participou de cursos de cinema, televisão, criação e direção, ao lado de Walter Lima Junior, Dennis Carvalho, entre outros. Fez apresentações em locais importantes da cultura como, a Casa de Cultura Laura Alvim, Fundição Progresso, UNIVERCIDADE e Escola de Música da Barra, onde estudou canto, lapidando sua voz, já naturalmente privilegiada. Atuou cantando no Rio de Janeiro em diversas casas e bares. Recentemente, a sua música "Aos de alma e sangue", em parceria com Romano Pinheiro, foi vencedora do programa "Galeria" da rádio on-line Globo FM. Em tempos, Fabiana Bittencourt está finalizando seu terceiro disco “Merkabah” onde conta com auxilio luxuoso de Victor Biglione – guitarrista de renome e Zé Lourenço, pianista que tem no currículo vários nomes da música nacional, ele é o maestro do Erasmo Carlos. Entre um intervalo e outro, pude conversar por alguns minutos com Fabiana para contar um pouco de sua história, enquanto o tão esperado “Merkabah” não sai!

Fabiana Bittencourt - Foto: divulgação.
1) A música
Fabiana Bittencourt: A música, na verdade, sempre foi minha companheira, de uma forma ou de outra. Na casa de meu avô, conta meu pai ainda adolescente, que existiam três pianos, porque minhas tias tocavam e uma delas foi professora deste instrumento, por mais de 30 anos. Ouvi muita música quando pequena, que incluíam as clássicas. Tinha paixão por música e pedi de presente, aos 15 anos, um violão. Ganhei, fiquei feliz da vida e estudei com um professor particular o João Carlos, por dois anos. Meu desejo era solar enlouquecidamente! Adorava solos de guitarra, mas quando percebi que teria que ficar ali incessantemente, com dedinhos cansados, fazendo aquelas escalas, desisti. Tinha uma preguiça com aqueles exercícios. Queria, logo, aprender a tocar uma música. Cheguei a falar com o professor, a parar de ensinar a solar. Eu queria aprender a tocar “Stairway to Heaven”. O professor riu dizendo que eu havia aprendido, somente, três acordes e queria tocar essa canção! (risos) - Ela é cheia de pestanas, você nem aprendeu a fazer pestanas ainda. Eu disse que poderíamos fazer aulas por músicas, aprendo os acordes a partir das músicas que me interessavam. Disse ainda: - Prometo que se me ensinar essa canção, em uma semana estarei tocando. Ele não queria, mas acabou cedendo e na terceira semana de aula estava tocando direitinho como prometido. Depois deixei de lado o violão e ganhei uma guitarra. Estudei pouco, mas gostava muito. Aos 16 anos, eu e umas amigas decidimos formar uma banda só de meninas, era Flávia no baixo, eu na guitarra e Mônica no teclado, faltava uma batera, que dificuldade! Procuramos muito, muito, mesmo! Fizemos vários ensaios, mas não passou disso. Em 1997, a vontade de cantar profissionalmente era intensa e minha mãe sabia disso. Em uma ocasião ela soube que havia uma banda que estava fazendo testes para selecionar uma vocalista para fazer coro, foi o que precisava para mergulhar verdadeiramente na música. Na verdade, era tudo muito intuitivo e de ouvido, o pessoal da banda me passava à sonoridade e eu reproduzia. Foi maravilhoso, aprendi muito, fizemos viagens para São Paulo, shows no Rio. Percebi que era o momento de estudar, então fiz aulas de canto por dois anos, mas a banda deu um “break”! Muito por acaso, resolvi registrar umas canções e gravá-las em um estúdio, canções inéditas, de um compositor novo. Chamei um gaitista muito bom, Otávio Castro que sabia tocar teclado também, um batera; Guga Peliccioti, o Darwen Schiavini no violão, e um baixista.. muito legal que não recordo o nome. Enfim, o Otávio, começou a falar que eu precisava cantar profissionalmente! Fazer uma carreira solo! Um disco independente! Não precisou falar duas vezes, fui para o primeiro disco solo, assim, simplesmente.
2) Rio de Janeiro
Fabiana Bittencourt: Sou Fluminense! Inclusive no time! (risos), com alma bem carioca, nasci em Macaé, uma cidade que gosto muito, mas me considero carioca! Vim para o Rio bem novinha, morei na Barra e no Recreio, estudei na Gávea, fiz faculdade na Lagoa! Sou ou não sou bem carioca? Sempre que posso venho em Copacabana! Tenho amigos e gosto do bairro!
3) Tempo de carreira
Fabiana Bittencourt: Profissionalmente, 12 anos, desde a época em que fui vocal.
4) Discos
Fabiana Bittencourt: O primeiro disco aconteceu como citei anteriormente, de forma, simples e natural, nada premeditado, com músicos muito competentes como Otávio Castro, Guga Pellittioti, Tacyto Saboya (Anastácio Braga Filho), Ronaldo Machado, Nelson Batata e Natal.
No segundo disco, um amigo meu, baixista muito bom, Franklin Parada, filho do Silvio Parada dos The Pop’s, me indicou uma pessoa que estava iniciando como produtor. O cara fez um preço camarada na época. Disco independente! Sabe como é!
Tem suas limitações, mas gostei do resultado, foi um disco mais para o Pop Rock.
Fabiana Bittencourt - Foto: divulgação.
5) Inspirações
Fabiana Bittencourt: Não tenho um critério e nenhum motivo especial, recebo da vida os estímulos naturais que ela transmite. Ás vezes uma paisagem, um momento que estou passando, um aroma ou notícia, um entardecer, uma palavra pode me inspirar e tudo se desenvolve. Não busco temas, eles aparecem.
6) Música e letra
Fabiana Bittencourt: Deixo para minhas parcerias a concepção da música. Gosto de escrever. Acho que me expresso melhor na língua escrita, são sentimentos e sensações que coloco no papel despretensiosamente, muitas viram letras.
7) Influências
Fabiana Bittencourt: Cantoras, gosto demais de ouvir Elis Regina, Nana Caymmi, Zizi Possi e Maria Bethânia. Ouvi-las, de alguma forma, me influenciou e influencia. Já escutei de tudo um pouco, Bossa, Choro, muito da clássica MPB, gosto de jazz, Clássico, um Pop bem feito e mais sofisticado como Pedro Mariano. Gosto, também, do Arnaldo Antunes. Tenho influências bem nítidas em minha alma, de Mario Quintana, não sei se chega a transparecer nas canções, mas em tudo que faço acho que tem um pouco dele, do I Ching, Machado de Assis. Gosto de bisbilhotar filosofia; Deleuze, Nietzsche, Spinoza, Clarisse Lispector, da minha infância, são influências que se multiplicam ao longo da vida, coisas novas que acrescento e aprendo no correr dos dias. Tudo é influência de alguma forma, estamos sempre em transformação, eu me sinto assim.
8) Ouvinte
Fabiana Bittencourt: Escuto radio e gosto das que lançam novos talentos e das que tocam boa música. Tenho escutado rádios on-line de outros países também como a Radio Jazz Plus. Outro dia escutei o disco novo do Claudio Lins, está um primor. As canções da Maria Gadú ouvi e gostei muito.
9) Disco de cabeceira, atualmente
Fabiana Bittencourt: O disco que está na minha cabeceira esta semana é o do Chet Baker.
Fabiana Bittencourt - Foto: divulgação.
10) Disco novo
Fabiana Bittencourt: O disco novo vem de um desejo muito particular de traduzir meu sentimento em música. A idéia era a de transmitir meu trabalho com uma sonoridade que venho apreciando mais e mais a cada dia, uma sonoridade sem rótulos, livre e com influências jazzísticas, da mesma forma que gosto de estar livre para interpretar cada canção da forma que ela exige. Nada vai ser daquele jeito, entende?
Não espere ‘o esperado’ de mim, me reinvento a cada canção, cada uma tem seu universo!
11) Victor Biglione e Zé Lourenço
Fabiana Bittencourt: Pensei assim: Qual o nome da música que gostaria de ter como produtor, alguém que admiro profundamente, que tem o som com o qual me identifico? Uma sumidade no que faz? Na minha concepção: Victor Biglione! Fiz contato, ele muito solícito, me deu um lindo ok. É claro que tive que esperar um pouquinho, porque o tempo dele estava curtíssimo, mas marcamos uma reunião e Victor trouxe com ele o sensacional e maravilhoso arranjador, o Maestro José Lourenço.
Nossa! Uma alegria trabalhar com essas duas feras, tudo fluiu de forma muito harmoniosa. Colocamos muita energia boa nesse trabalho! Um somatório de forças que deu vida a esse disco, com um resultado, para mim, além do esperado. O tempo foi mais ou menos de cinco meses, entre arranjos, gravações, mixagem, masterização, tudo feito com muito critério, carinho e cuidado.
12) Faixa de abertura
Fabiana Bittencourt: A primeira faixa do disco “Quando a noite chegar” é uma parceria minha com Cyro Bittencourt, um compositor de São Paulo, extremamente talentoso. Ela começa com um solo extraordinário do Victor Biglione. As sonoridades têm influências jazzísticas. Uma canção que traz uma letra que tenta expressar algumas inquietudes do coração. Foi concebida a partir da lembrança de um dia em que eu estava assistindo a um filme e alguém muito importante pra mim, estava lá! Nesse mesmo ambiente, na sala de cinema; “À noite”, que me refiro é esse escuro que o cinema traz ao começar o filme no cinema, o respirar, um sopro, parece um grito, tudo se intensifica. A criação é quase toda subjetiva. Ouvindo a canção você pode viajar.
Web site: www.fabianabittencourt.com
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