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Leonardo Rivera

Por: Elias Nogueira
Musical Sun, Rio de Janeiro-Brasil, data: 17/05/2007

INTRO:
O relançamento dos álbuns selecionados de Ronnie Von é válido para a nova geração porque traz fonogramas importantes remasterizados aos quarenta anos da primeira gravação do artista. A versão em português do super hit Beatle “Girl”, que virou “Meu Bem” e tocou em todas as rádios de forma ostensiva, catapultando o “Príncipe” ao suposto cargo de concorrente do Rei Roberto Carlos, na história da música brasileira da segunda metade dos anos 60. O responsável pela façanha é o jornalista, produtor e pesquisador carioca Leonardo Rivera. Acompanhe em um bate papo especial o que diz Rivera.

Leonardo Rivera (esquerda), Ronnie Von (centro) e Cable (direita) - Foto: divulgação
1) Como e quando foi que você teve a idéia de relançar os discos de Ronnie Von?
Leonardo Rivera: Há sete anos ou mais. Quando entrei na PolyGram (hoje é a Universal) minha missão era trabalhar com novos talentos, mas também tinha a curiosidade de achar tapes antigos de bandas cuja época não vivi. Aí, encontrei o tape de Technicolor, dos Mutantes, que tinha sido descoberto primeiramente pelo Carlos Callado e depois foi parar nas mãos do Marcelo Fróes. Na mesma época descobri os álbuns do Ronnie.
2) Esse projeto, você já vinha trabalhando algum tempo! Quanto tempo demorou até ficar pronto? E porque demorou? Dependeu de liberações?
Leonardo Rivera: Além das liberações havia o interesse da companhia. Algumas versões a primeira editora nem sabia que a original tinha sido versionada na época. Aos poucos fui mostrando que o Ronnie movimentava grupos no Orkut, que artistas da nova geração como Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, e Nervoso, gostavam dos discos de início de carreira e até cantavam em alguns shows. Aí, com a gestão de Ricardo Moreira no departamento de catálogo da Universal, ficou mais fácil porque ele passou a vida me vendo falar de Ronnie Von dentro da companhia. Fui funcionário de lá no final da década de 90 e sempre fui o pesquisador que levantou a bandeira da importância destes relançamentos.
3) Fale da importância, desses três discos que você relançou, para os jovens atuais?
Leonardo Rivera: Todos três são importantes. Ronnie não gosta muito do primeiro, foi muita pressão em cima dele, diziam pro cara "vai lá, entra e canta isso aqui, isso é que vende" e ele estava surgindo, sem direção artística alguma. O cara é um galã e a beleza dele conquistou muitas fãs com aquela versão dos Beatles de “Meu Bem”. Mas, o disco psicodélico idealizado por ele e Damiano Cozzella é o filé da safra. Cheio de interferências modernas, conceitos diferentes e arranjos experimentais, é o melhor e mais incompreendido álbum de Ronnie. E “A Máquina Voadora”, de 70, tem lindas baladas e efeitos com roupagem mais pop, sem abandonar a psicodelia. Foi o Ronnie que ensinou muita coisa aos Mutantes.
4) Aproveito para perguntar também o que representa, em sua opinião, o catálogo do Ronnie Von?
Leonardo Rivera: Os álbuns revelam o que havia por trás daquele momento; talvez até mais que alguns álbuns dos Mutantes. Por isso a juventude deve ouvir, pra ver como se fazia boa música sem cobranças de mercado. Boa e atemporal, pois os discos soam muito modernos em 2007.
Ronnie Von nos anos 60 - Foto: divulgação
5) Poderão ser lançados os discos que ficaram de fora?
Leonardo Rivera: Isso depende da Universal. Por mim, completo a pesquisa que, originalmente, era para uma caixa de seis CDs e um de extras. O Ronnie gosta mais da idéia da caixa do que dos lançamentos isolados, segundo ele me disse.
6) O que foi mais difícil nesse trabalho e o que foi mais gratificante?
Leonardo Rivera: Difícil foi esperar tanto tempo e correr perigo do projeto parar em mãos erradas, ou seja, de pessoas que não se empenharam realmente em revitalizar os títulos e a obra de Ronnie como um todo (comprometimento meu desde antes de eu conhecer o artista, porque também sou fã). O mais gratificante foi voltar a trabalhar com Ricardinho, na Universal, e os encontros que tive com o Ronnie; o cara mais elegante e educado que eu já conheci em toda minha vida.
7) O que o cantor Ronnie Von achou do produto final?
Leonardo Rivera: Não estive com Ronnie ainda. Soube que ele estranhou ser lançado avulso, sem que ninguém da Universal fizesse contato com ele. Mas a Universal me colocou no meio de campo disso e fiz o melhor que pude. O meu projeto de pesquisa ele aprovou, emprestou as capas e me recebeu na casa dele com muita elegância.
Ronnie Von - Foto: divulgação
8) Você é jornalista musical. Até que ponto isso contribuiu em seu trabalho com relançamentos? Terá mais novidades pela frente?
Leonardo Rivera: Tenho novidades, mas não falo ainda porque não há nada concreto. O fato de eu ser jornalista, pesquisador, produtor e dono de selo, só ajuda no meu interesse por música, artistas e mercado.
9) Fale-me um pouco de você: Como começou sua vida profissional?
Leonardo Rivera: No jornalismo local, em Niterói, aos 15 anos. Depois, escrevi para jornais e revistas de música, até um dia ir entrevistar a Rita Lee, de quem também sou fã, e ela me indicou para a direção da PolyGram como um cara que saca de novos talentos. Eu já tinha ouvido a Larika, primeira banda do filho dela, Beto Lee. Daí permaneci dois anos lá e depois montei, em 99, a Astronauta Discos; selo que tenho até hoje e chegou a lançar a banda Galaxy, liderada pelo próprio Beto Lee, em 2004. Hoje em dia escuto diversas bandas novas de pop/rock e faço parceria direta com os artistas e seus empresários, além de ser editor de cultura de uma página diária no jornal A Tribuna de Niterói, colaborador da Revista Bizz novamente e pesquisador de catálogos (até agora, somente da Universal).
10) O público pode esperar o que de Leonardo Rivera em termos de novidades?
Leonardo Rivera: Ainda estamos preparando as tais novidades e você será um dos primeiros a saber!
Web site: www.astronautadiscos.com
e-mail: dep_artistico@astronautadiscos.com
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